30 de abril de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO "RASCUNHOS DO ABSURDO", DE JORGE EIAS NETO

O Governo do Estado do Espírito Santo por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo, Flor&Cultura Editores e o autor, Jorge Elias Neto convidam para o lançamento do livro "RASCUNHOS DO ABSURDO", dia 07/05 próximo, no horário das 19:00 às 22:00 horas, na Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo, Avenida João Batista Parra, 165, Praia do Suá, Vitória/ES. Maiores informações telefones 3137-9349 e 3137-9351. Parabéns ao Jorge Elias Neto!

29 de abril de 2010

ATUALIZAÇÃO DE DADOS DOS POETAS

Oi, amigos poetas/poetisas, solicito a todos que estejam cadastrados no site http://www.poetas.capixabas.nom.br/  que revisem suas páginas e me enviem as atualizações que se fizerem necessárias, novos cursos, novos livros, participações em sites, etc. Tudo que julgarem importante incluirem, ME MANDEM! Farei as atualizações com o maior prazer. OBRIGADA, por agora. Um abração.

28 de abril de 2010

Lançamento do livro de poemas "MINA", da poetisa Renata Bomfim

Renata Bomfim lançará seu livro de poesias "MINA", dia 19/05/2010, às 19:00 hs. no Café do Canto, localizado na Rua Joaquim Lírio, 595, na Praia do Canto, Vitória - Espírito Santo. Renata é uma poetisa de grande sensibilidade que faz lindos versos. Com certeza será um livro muito bom de se ler! Prestigiem a autora capixaba!

15 de abril de 2010

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E PEIXES

Mateus, em seu Evangelho, conta que por duas vezes Jesus fez o milagre de multiplicar pães e peixes.
...E sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se Dele, dizendo: O lugar é deserto e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.
Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer.
Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
E Ele disse: Trazei-mos aqui.
E tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes e erguendo os olhos aos céus, os abençoou e, partindo os pães deu-os aos discípulos e os discípulos à multidão..
E todos comeram e ainda sobrou alimento que deu para encherem vários cestos.
Ao ler este Evangelho, lembrei-me de uma interpretação que li, há muitos anos sobre alguns dos relatos dos milagres de Jesus.
Sem desmerece-los, absolutamente. Apenas dando uma outra interpretação, que aos meus olhos bem provável de ter sido assim.
Ora, Jesus é o Filho de Deus.
Curou leprosos, devolveu a visão a cegos, levantou paralíticos, ressuscitou mortos... Para Ele, multiplicar pães e peixes não era nada difícil.
Os judeus não se davam bem com os idumeus. Nem com os samaritanos. Nem com os filisteus... Como lemos na Biblia, não havia uma integração harmônica entre eles. E dentre a multidão que seguia Jesus, ávida de ouvir as suas palavras, havia cidadãos de todos estes lugares.
Existem pessoas que ao aventurarem-se numa caminhada sem saber quanto tempo ela vai durar, se previnem. Levam um lanche para a eventualidade de sentir fome e poder alimentarem-se.
Outras, saem sem a menor preocupação. Só vão lembrar do alimento na hora em que a fome apertar. Isso deve ter acontecido com aquela multidão que seguia Jesus.
Muitos deles devem ter levado seu lanche. Outros, não.
Não é possível que quando Jesus abençoou os cinco pães e os dois peixes que eram o lanche Dele e de seus discípulos, os que haviam levado alimento, talvez até um cântaro com vinho ou água, sentiram-se tocados pelo gesto do Mestre?
E seguiram o Seu exemplo, dividindo o seu lanche com os que lhe estavam próximos.
E num efeito dominó, todos os "precavidos" fizeram o mesmo.
Ao tocar o coração das pessoas, permitindo que a generosidade, a solidariedade para com o seu próximo atingisse toda aquela multidão, Jesus fez um milagre maior, no meu entendimento, do que simplesmente multiplicar pães e peixes.
Mudou o coração daquela multidão que o seguia. Os fez pessoas melhores, dispostas a partilharem o seu alimento com o seu vizinho.
Impossível esta versão? Não terá sido um milagre bem maior?
Acho que sim.

RAÍZES...

De acordo com o dicionário, "raiz é o exo de uma planta vascular, que serve para fixá-la à terra, além de abssorver e conduzir  água e extraindo dela os nutrientes que a faz crescer, florir e dar frutos."
Outra definição de raiz é "vínculo emocional, frequentemente estabelecdo com lugar ou cultura em que se nasceu ou viveu."
É desta raiz que quero falar aqui.
Nasci em Florianópolis, Santa Catarina. Quando minha família se transferiu para Vitória eu tinha apenas dois anos de idade. Acreditei sempre que as minhas raízes estavam fixadas no solo espírito-santense, que eu amo de todo o meu coração.
Os símbolos, os monumentos, tudo aquilo de que a minha mãe e meus tios sempre falaram com saudade e emoção da terra catarinense, pertenciam apenas a eles.
A ponte Hercílio Luz, cartão postal de Floripa, o Mercado Municipal, a Igreja do Senhor dos Passos, a praia de Canavieiras, o Estreito, faziam parte da história deles, não da minha.
Como lá ficaram tios, primos, primas, sempre fui, nas minhas férias, visitá-los. Nunca realmente perdi o contato com aquele Estado, mas para mim, emocionalmente, era a terra dos meus antepassados.
Ledo engano...
Quando, recentemente, uma enorme tragédia se abateu sobre Santa Catarina uma dor enorme encheu o meu peito assistindo ao sofrimento daquela gente, que sei o quanto é valente, trabalhadora, lutadora, honrada, que não se abate nunca.
Surpreendentemente (ah, como a gente se conhece pouco!) descobri que também  possuo raízes profundas que me prendem àquele solo.
Preocupei-me não apenas com os meus entes queridos que lá residem mas com todos os catarinenses, sem distinção.  Rezei, rezei muito por aqueles que perderam tudo, bens adquiridos com sacrifício ao longo de toda uma vida de trabalho, ficando apenas com a roupa do corpo.
Chorei com os que choraram a perda de seus pais, irmãos, filhos... Dor tamanha, difícil de ser enfrentada.
A solidariedade que partiu de todos os cantos do Brasil me comoveu. Como o povo brasileiro é bom!
Tenho fé que os catarinenses não se deixarão abater e ressurgirão dos escombros, na superação de tudo que passou. Não vai ser rápido, mas o Estado vai se recuperar e voltará a ser aquele paraíso que todos que o visitam voltam dizendo maravilhas.
A revista da empresa aérea Gol, que minha filha trouxe de sua última viagem a São Paulo, é toda dedicada a "Santa Catarina, um Estado de felicidade...fala nos encantos do sul, na serra catarinense, no vale do contestado, no caminho dos príncipes, no caminho dos cânions, na costa verde e mar, no vale europeu, na grande Florianópolis, no grande oeste catarinense, etc."
Reportagem maravilhosa, que vou guardar com todo o carinho.
E daqui do Espírito Santo, terra querida que me adotou digo aos meus irmãos de lá: "Força, minha gente!"

Vitória/ES, 2008.

12 de abril de 2010

MEU NETO

"Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos como sabe-lo:?", diz Vinícius de Moraes, em seu Poema Enjoadinho.
Mas, no final, acaba confessando; "porém que coisa, coisa louca, que coisa linda, que os filhos são1"
Os filhos são, realmente, uma dádiva de Deus.
Mas como eles não trazem de "fábrica" o manual de instrução no orientando como criá-los, rapidamente nos conscientizamos da enorme responsabilidade que temos para torná-los pessoas de bem, solidárias, generosas, de caráter, acima de tudo.
E esta não é uma tarefa fácil, de jeito nenhum.
Na época em que os filhos nos chegam, estamos acumulando inúmeras funções: de mãe, de esposa, funcionária, por vezes estudante e anjo da guarda para que eles não se percam no difícil caminho da vida, neste mundo de tanta atribulação como é hoje.
Mas, com a graça de Deus, meus dois filhos são minha alegria e meu orgulho.
Agora, quando nos chegam os netos...
Já estamos disponíveis para apenas amá-los. A tarefa de educá-los cabe aos pais. Que nos acusam, aliás, de só "estragá-los, já que não sabemos dizer não a eles.
Se os filhos são uma dádiva de Deus, o que dizer dos netos que eles, os filhos, nos dão?
Assim foi a chegada do meu neto em minha vida.
Já no primeiro encontro ele me olhou como se estivesse reconhecendo uma antiga amiga. Dali em diante, o amor só cresceu e se enraizou.
Ser avó é a coisa mais maravilhosa que me aconteceu.
Quanta alegria os netos nos trazem! Como estes pequenos seres enchem o nosso coração de um amor sem limites.
Dormir ao seu lado, escutar sua voz sussurrando: "segura minha mão, vovó?"
Sentar no chão, brincar com seus bonecos, de He Man, Shira, e sei lá eu mais quantos os bonequinhos tinham...
Ir à praia, fazer castelos de areia... abrir túneis e vê-lo colocar a mãozinha para sair do outro lado e rir, rir muito, com tamanha proeza...
As lembranças vão vindo, como "flashes" em minha memória afetiva.
Com dois aninhos, ainda não dominando bem as palavras, pulando em cima de minha cama, viu uma reprodução do quadro pintado por Rubens  de "Jesus entre os dois ladrões".
"Quem é, vovó?"
"Papai do Céu"
"Onde ele está?"
"Na cruz"
"Quem botou o Papai do Céu na cúz?"
E a explicação fantasiosa que eu achei na hora, dizendo que Jesus disse "Eu tenho a força!", que nem o He-man, que eu achei que ele entenderia. E entendeu. E não perguntou mais nada.
Ele, no meio de outras crianças, ainda na Escolinha Raio de Sol, reconhendo minha voz num teatrinho improvizado (comemoração do Dia das Mães) contanto a história do Chapeuzinho Vermelho... E dizendo bem alto: "essa é a minha avó!"
Pedindo que eu contasse histórias e no final, "de novo, vovó!", três, quatro vezes. E se eu, traída pela memória e pelo cansaço mudasse alguma palavrinha que tivesse dito na primeira vez, na hora ele corrigia: "não é assim, não vovó1"
Seus olhos arregalados, ouvindo a história da mulher desgrenhada, com uma faca na mão... passando manteiga no pão! e ele aliviado, rindo, rindo muito!
O dia em que um ruido no céu chamou sua atenção (estávamos na praia) e ele me perguntou: "o que é aquilo vovó?" E eu lerda, disse: "uma asa delta, meu querido!"[
E ele: "não é não sua boba. É um ultraleve"...
São tantas as lembranças... o tempo passou tão veloz...
Hoje ele é um homem. Graças a Deus, um homem de bem.
Mas quando me chama vovó, é como se virasse um menininho de novo e o meu coração se derrete.
Nem sempre tem muita paciência com meus esquecimentos, as falhas advindas da idade avançada, mas tenho certeza que me ama assim mesmo.
Fica muito aflito quando me vê doente (o que é comum, na atualidade).
Seu sorriso é como um farol iluminando o final desta minha caminhada.
Para ele, pelo ao Senhor Jesus, todas as noites, tudo de bom que a vida possa proporcionar.
E agradeço a suprema alegria de ter me dado a chance de ser avó dele!